Monday, July 31, 2006

Cultura

Plantar e colher é cultura
De pai pra filho é cultura
Fermento no pão é cultura
Criatura é cultura.

Friday, July 28, 2006

O Produtor

É a babá do bebê babão
Raras vezes encontra paz
Põe pra naná o nenê chorão
Raro é o que gosta do que faz
Deu tudo certo! Obrigação.
Vagueia sem saúde, jaz.
Rotina diária é labuta
Carente, não pensa, executa.

Wallace

Revi


Eu vi.
Agora, já não vejo tanto
Quem será que vê menos?

Wallace

PAPÉIS TROCADOS (como mediador pelo NCE/USP)

M-13, PRIMEIRO DIA, SEGUNDA SEMANA, SALA 05, 10h45.
Cursistas trabalhando em seus respectivos grupos. Mediador aproveita o empenho coletivo e escreve o seu próprio endereço de e-mail na lousa improvisada.
MEDIADOR: Pessoal este é o meu endereço de e-mail. Para vocês se comunicarem comigo a qualquer momento e de qualquer lugar.
Cursistas: Que legal! Vou escrever mesmo, hein professor?
Percebe-se uma certa empolgação na turma. É quando uma cursista levanta a mão:
CURSISTA: Professor, você tem messenger?
MEDIADOR: Não.
Alguns cursistas frustrados, outros espantados: Não???
CURSISTAS (entre eles): Puxa... Ah! Que pena...
De repente, um cursista, ainda com esperança.
CURSISTA: E ORKUT? Você tem?
Mediador (como quem acaba de chegar com o saquinho de fubá e encontra a turma já comendo o bolo): Muito menos.
CURSISTAS (quase indignados): Ah! Professor, como assim? Não é possível. Mas, por que não?
MEDIADOR (tentando ainda ter amigos): São recursos modernos demais para mim. Quem sabe um dia...
CURSISTA (implacável): Você é do tempo do e-mail ainda, né professor?
MEDIADOR: ???

Wallace

SIGNO




Outro dia, eu estava andando em direção ao metrô Vila Matilde (próximo da minha casa) quando, ao virar uma esquina, me deparei com três crianças (nenhuma delas com mais de dez anos de idade, creio). Cada um segurava uma pipa recém-comprada. O que chamou minha atenção para este fato é que uma destas pipas estampava a suástica nazista. Fiquei perplexo. Se não bastasse, ouvi de um dos garotos, que apontava para a tal pipa: "- Essa é que é da hora...". Segui meu caminho. Toda a cena não durou mais que vinte segundos; na minha mente, a tarde inteira.
Conversei sobre o que vi, com dois colegas de trabalho. Ouvi do mais experiente que eu deveria ter alertado os garotos de que aquele símbolo havia sido usado em guerra, trazendo muita morte, inclusive de crianças. Em contrapartida, para a colega mais nova, "aquela era apenas mais uma pipa para as crianças, pois as mesmas não sabiam (e é melhor que nem saibam) o que representou a suástica para a história da humanidade".
Em comum, ambos repudiaram o fabricante e o vendedor deste "brinquedo".
Surpreso, impotente e omisso foi como senti-me naquela tarde.

Wallace